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No
Município de São Paulo o processo de expansão
urbana, principalmente nos últimos 50 anos, deu-se
de modo indiferente às limitações e potencialidades
de seu sítio natural. Com área de 1509 Km2,
o Município apresenta 870 Km2 de área urbanizada,
onde vivem cerca de 65% da população, estimada
em 10 milhões de habitantes.
Segundo ANCONA (1993), no início da década de
90, cerca de um milhão de pessoas moravam em aproximadamente
200 mil moradias sub-normais, instaladas nas 1800 favelas
cadastradas. Deste total, 65% ocupavam áreas municipais
originalmente destinadas à implantação
de áreas verdes. Nos parcelamentos clandestinos, com
estimativamente 340 Km² (22% do território), morariam
cerca de 2,5 milhões de habitantes.
Este processo de ocupação da cidade gera situações
de difícil reversão, tais como a supressão
de áreas com cobertura vegetal natural, comprometendo
os refúgios de fauna e flora; a impermeabilização
excessiva do solo, enchentes, erosão, perda da qualidade
dos mananciais de abastecimento etc.
Em particular, as áreas verdes, aqui entendidas de
forma abrangente (fragmentos de vegetação original,
arborização urbana, parques, praças,
canteiros, jardins, etc, tanto públicos como particulares),
cruciais para a qualidade de vida da metrópole e para
a manutenção da biodiversidade, sofrem com a
drástica redução de seus estoques, já
que nas áreas periféricas a ocupação
se dá, em geral, em desobediência total à
legislação urbanística (15% da área
total parcelada destinada às áreas verdes).
As informações geradas ao longo das últimas
décadas, tanto pelo Poder Público como por pesquisadores,
fundamentais para a proposição de políticas
que visem reverter este quadro, encontram-se dispersas e não
sistematizadas.
Neste contexto, torna-se plenamente justificável a
execução do presente projeto, que alia técnicas
consagradas do conhecimento, tais como sensoriamento remoto,
cartografia e Sistema de Informações Geográficas
(SIG), pelas Secretarias Municipais do Verde e do Meio Ambiente e do
Planejamento Urbano, responsáveis pela formulação
de tais políticas, no âmbito municipal.
Entende-se ainda que o mesmo vem ao encontro dos objetivos
do Programa BIOTA, da FAPESP, criado em 1999, quando um grupo
de pesquisadores identificou a premência de uma política
que revertesse o desaparecimento de habitats e espécies.
O quadro existente à época apontava para a grande
complexidade e abrangência da temática conservação
e uso sustentável da biodiversidade, a elevada fragmentação
das informações sobre a biota do Estado e a
inexistência de cartografia atualizada. A criação
do Programa e conseqüentemente do Sistema de Informação
Ambiental do Programa –SINBIOTA, é uma tentativa
de diminuir a distância entre os pesquisadores que geram
as informações e os órgãos que
propõem e administram as políticas de conservação
e uso sustentável dos recursos naturais. |
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